Mercado
Será que dá para piorar?
São Paulo, 8 de dezembro de 2013    
Por Arnaldo Luiz Corrêa (*)

Mais uma semana em que vimos o mercado futuro de açúcar em NY fechar em queda. Aliás, foi a sétima semana seguida que o mercado de açúcar encerrou em baixa (série iniciada na sexta-feira, 25/10). A última vez que vimos esse “fenômeno” ocorrer foi em fevereiro de 2007, portanto há quase 7 anos.
O vencimento março/2014 fechou a 16,61 centavos de dólar por libra-peso uma queda de 54 pontos na semana (11,90 dólares por tonelada). Pressão igual sofreram os meses com vencimento até maio de 2015, com quedas entre 30 e 50 pontos. A curva de preços é de custo e carrego, típica de mercados em equilíbrio de oferta e demanda, com carrego médio de 7,5% ao ano. Ou seja, compradores e consumidores vão empurrar com a barriga suas compras. Isso não vale para os consumidores industriais do mercado interno pois a curva do dólar também é ascendente, portanto análise tem que ser mais criteriosa.
Vários fatores contribuíram para esse desânimo do mercado internacional, entre eles: a) a falta de demanda no mercado de exportação; b) o cansaço dos fundos que estão comprados e liquidam a posição desde a semana seguinte ao incêndio no terminal no porto de Santos; c) a desastrosa política do governo federal sobre a formação de preços dos combustíveis (falo mais sobre isso abaixo); d) a perspectiva de uma safra maior na Tailândia; e, último mas não menos importantes, e) a desvalorização do real em relação ao dólar. O que mais intriga ao mercado foi a construção de uma posição comprada por parte dos fundos num momento como esse, com frágil sinalização de alta.
Na quinta-feira dia 4, o mercado de NY alcançou a expressiva marca negativa de 18 sessões em baixa nas últimas 20. O número mais alto de pregões em queda num intervalo de 20 dias desde dezembro de 1964, ou seja, há 49 anos. Imagine que a última vez que isso ocorreu com o mercado de açúcar em NY, as rádios no Brasil tocavam o sucesso dos Beatles, “I Wanna Hold You Hand”. Hoje, não aparece ninguém que queira segurar as mãos frágeis do mercado. E pior, se compararmos os últimos 40 pregões, 30 fecharam em baixa. Uma situação que não ocorria desde junho/1971, quando as mesmas rádios tocavam “Brown Sugar”, dos Rolling Stones, cuja letra remetia a tudo menos açúcar.
Voltando ao mercado, a coisa poderia ser pior, ou seja, os preços poderiam estar mais pressionados se as usinas aumentassem a carga de fixação de preços em NY. Isso não parece ter ocorrido. As fixações para a safra 2014/2015 no mês de novembro, segundo modelo desenvolvido pela Archer Consulting, foram tímidas nesse último mês e somaram apenas um milhão de toneladas, elevando o volume de fixação para a safra a 7,6 milhões de toneladas ao preço médio de 17,69 centavos de dólar por libra-peso, sem prêmio de polarização. Imaginamos que isso represente 40,40 centavos de reais por libra-peso.
O mercado perdeu um pouco de estamina. Achávamos todos que o mercado poderia encontrar um ponto de equilíbrio que seria buscado caso o governo federal aprovasse a tal metodologia discutida pela Petrobras para a formação de preços da gasolina, que afetaria indiretamente também o etanol. Mas, isso não ocorreu.
Por isso, 2014 deverá ser um ano muito difícil para o setor sucroalcooleiro. Não me refiro aqui especificamente a preços pois estes devem ser melhores do que a média de 2013 em reais por tonelada. Neste ano safra, por exemplo, a média que vimos de abril até o final de novembro foi de 868,76 reais por tonelada FOB Santos.
A curva de dólar para o próximo ano, segundo nove entre dez economistas, é ascendente e deve oferecer valores maiores em reais por tonelada para as exportações de açúcar. Por exemplo, se alguma empresa tivesse fixado suas vendas nos valores de fechamento desta sexta-feira e tivesse feito também o hedge cambial, perceberia que na média para a safra 2014/2015 (de abril de 2014 até março de 2015) o valor obtido seria 100 reais acima da média desta safra.
Minha preocupação para o próximo ano refere-se à manutenção do atual descaso do governo federal para com a economia do país num ano de eleição. O PT não medirá esforços para se perpetuar no poder. Mesmo que isso custe quebrar a Petrobras e, por tabela, encolher o setor sucroalcooleiro. A falta de competência, de comprometimento e responsabilidade de Mantega somadas à vocação de Dilma para servir de fantoche do farsante Lula assombram qualquer cidadão de bem.
Não tenho procuração do setor sucroalcooleiro para defendê-lo, minhas palavras são de cidadão e acionista “minorOTÁRIO” da estatal do petróleo. Em qualquer país civilizado, o presidente do conselho de uma empresa da envergadura e do nível de excelência que a Petrobras sempre teve, ciente de que a mesma tem prejuízos cada vez maiores quanto mais vende seu principal produto e nada faz para saná-la, já teria sido defenestrado. Não no Brasil do PT.
Aqui se vive o país do contrário: políticos condenados pela justiça e presos, por exemplo, são tratados com reverência, como vítimas de um regime de exceção que só existe na cabeça fantasiosa dos manipuladores da verdade. Os bandidos condenados são tratados pela camarilha que está no poder como heróis nacionais. Vivemos uma ética às avessas bem ao gosto dessa corja desqualificada que mama nas tetas do país há 12 anos às custas de toda a sociedade brasileira.

(*) Arnaldo Luiz Corrêa é CEO da Archer Consulting
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